30 setembro, 2009

era bom

era tanto quando te escrevia e eu gostava. sabia mexer nas palavras que mexiam nas suas glândulas salivares. sabia que você devoraria a todas num suave e propositado mastigar. que lamberia os beiços e os dedos. tanto que era delírio, colírio, cólera, vício. sabia que era bom não ser só verdade. que brota do imaginar uma perfeição que sua, germina. era assim que nos entendíamos e não nos entediávamos. não existia pudor entre versos e verbos. era um fazer de conta. existia a reticência pra depois do suspiro. te escrevia em silêncio e aos berros e era bom. algumas palavras se repetiam. pele nuca boca. se pareciam. era tanto que me confundia. sabia que eu ficava bêbada quando te escrevia?

21 setembro, 2009

dormi no filme chato e agora, insone, resolvo problemas imaginários dos personagens que mal conheci. gelo na água que a noite é quente. quase todos os domingos são desagradáveis como frango assado. invento a brincadeira de fotografar relógios em suas horas iguais.03:03. um acúmulo de incômodos faz fileira no pensamento. amanhã vou nadar. parar de fumar. e comer frutinha vermelha entre as refeições. sãos problemas parecendo vãs soluções para o viver feliz para. me recuso a usar o sempre. a insônia dos insanos precisa de vagalumes. hoje nenhum deles adentrou pela janela. noite quente e escura. o último pedaço do insenso barato queima vestigiando a mesa de cinzas. e quase nada vira muito. ou quase tudo se vai. que seja. que haja. que haja beleza no número oito.

de novo, um barco esperando bater a onda.

de repente um brio. era possível criar uma história baseada naquele domingo insosso. enquanto eu dormia no filme chato, choveu. só vi quando abri a porta da cozinha. chuva muda o quintal. chamaria-se domingo de chuva e seria a cena de uma mulher na chuva. ela está feliz. caminha devagar, às vezes pára, coloca o cabelo para trás. é de noite. luz da lua e dos postes. ela está de vestido e jaqueta jeans por cima. está encharcada. sorri. a história acaba quando ela chega em determinado lugar. onde ela chegaria? não sei, não importa. a história é da mulher e da chuva. da mulher na chuva. sorrindo sei lá de que.

09 setembro, 2009

.considerações finais.

vai em ais
que eu fico
com a minha paz
.. ..

transeunte

se vc me passeia
tarde da noite
canto da boca
ponta do seio

desconjuro em arrepios
desmancho em devaneios
hiberno em êxtases
sumo em assobios

se vc me vagueia
eu cio

nua e crua

fico oca da palavra
que a pele cala
corpo com corpo
quando fala
exala febre
e não frase

a nudez emudece

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03 setembro, 2009

TRIPoLariDADE

ora chora

ora rocha

ora racha de rir

.

02 setembro, 2009

efêmero

Esse um não merece nem poesia
Muito prosa pouco repentista
Que só sobrou a ironia

.