19 dezembro, 2010

margaridas

doces os homens
que me beiraram cama
amargas idas

frustração de fim de noite

eu tava cheia de mim
quem nunca cheio de si?
pra que o pingo no i?
achava tudo chinfrim

aí resolvi espumar
jorrar qualquer poesia
achando que isso faria
no mais eu me acalmar

de nada adiantou
fiquei pensando na rima
palavra e palavra em cima
e poesia acabou

revoar

ciriema habita memória
ciriema grita socorro
ciriema ave voa
ciriema contornos
ciriema revida canto
ciriema corre morro
ciriema não vira poesia
a não ser que se vire o jogo

pequeno gargalo

se a imensidão fosse palavra infinda
se ela coubesse num poema guardanapo
se fosse ela fortaleza de sentimentos
talvez eu abusasse dela agora
pregasse impurezas em seu vestido
deixasse digitais no seu umbigo
mas a imensidão se dá ao longe
a imensidão não se propaga
eu hoje exploro reticências
que é pra fazer brotas perguntas
que na imensidão serão transparentes
respostas à imensidão da angústia

ho ho ho

sutileza sagacidade surpresa sentimental
todos os ESSES à venda na prateleira de natal
auto ajuda ao autor. grande invenção do capital

sorte do amigo que saiu pra rave e nunca mais voltou letrado.

18 dezembro, 2010

repente

vc surgiu
como um sutil
colírio de pimenta
visão ultravioleta
cadente cometa
direção violenta

e vai desaparecer
como fim de tarde
sem fazer alarde
vento corredor
pulsante memória
quase história
de amor