21 outubro, 2008

visita

saíram já era de madrugada e chovia. burlaram a rodovia iluminada e foram costurando ruas com fumaça e passo. comemoravam o reencontro e entendiam que aquela noite seria singular. de frente pro mar, conversaram num banco, balançando as pernas. não se conheciam de infância, mas da adolescência. dos tempos do jacó e dos chocolates na porta do parque. é preciso dizer que nessa época não se confiavam muita prosa. isso só foi acontecer, só foi acontecendo quando se perceberam perdidas. e perdidas, viram como eram parecidas. depois das primeiras lágrimas, entraram no 24h, escolheram a mesa do canto, com quatro cadeiras, uma quebrada. beberam a primeira que a garçonete fortinha trouxe em poucos minutos. não sei se brindaram. e tiveram uma conversa que poucas vezes acontece entre os humanos. porque não acontecia de precisar esconder nada entre elas. o que era dito era sentido, mesmo quando não tinha sentido algum. tomaram várias, fumaram vários. quer dizer, uma só fumou vários, a outra comia azeitonas. lá fora clareava quando quiseram levantar. abraçadas, cantaram. numa ressaca lisérgica, enquanto uma na estrada, a outra nescau de colherinha. sabiam que se sabiam muito depois daquela noite.

11 outubro, 2008

32 com 31

o q se pode fazer aos 32 com 0,31 centavos no bolso?
como ser tolerante e não ficar puto
e absurdamente criatividade, simplesmente
não dá pra conservar a lucidez
o que se pode fazer com 0,31 centavos no bolso aos 32?
terminada a graduação
talvez só seja uma pessoa melhorada
pouco importarão os sonhos
porque ter 32 com 0,31 centavos no bolso
é pior que corda bamba
tem q ter a dor do samba
do fado, do tango e do jongo
tem q rebolar no tombo
tem é q contar piada
enxergar na escuridão