09 junho, 2008

download

ah eu vou escrever qualquer coisa, ninguém lê essa merda mesmo. porque na verdade eu não tô afim de escrever nada. ou sobre nada especificamente. apenas escrever por escrever. para ouvir o barulho das teclas. às vezes parar e dar uma tragada no filtro branco light. e descrever a fumaça azul na fresta da janela com(o) a própria fissura das palavras quase ditas. exercício de solturamorterapia na literatura vulgar dos bordéis e dos blogs. totalmente praticáve e prazeroso, condenado pelos covardes que não brindam os seus vícios. eu nem sei mais. o sortilégio foi ficando pra trás. pés no chão, olhos fechados e um bando de andorinhas em revoada. alguma coisa sempre escapa em vôo. )( .

ouço rumores de que é preciso que se faça já. ligo pro disque-banco e o saldo continua em dois reais e dezenove centavos. paralizo meus impulsos, os sutis e os aricados, porque não tenho a liberdade para consumi-los. consumá-los. e toda uma parafernalha de desenroscos acontece na minha cabeça quando me falta dinheiro pros deleites. para o indispensável eu não ligo, improviso. meu sonho de consumo poderia ser aquele cruzeiro de fim de ano com show do rei. uma lipo não cairia mal. preciso trocar o celular porque enjoei da cor do meu. mentira. tudo mentira. eu só gasto com gosto. livros, vinis e viagens mochileiras. não sou eu que consumo os vícios, eles sim me consomem. nesta entresafra abstinente, salve a pirataria. penso o que seria do mundo sem o download.

3 comentários:

carla disse...

entresafra abstinente, heheh. Gostei,achei sincero...
sabe a pior coisa? é a ressaca moral... e a pílula da sinceridade tomada no dia anterior cambaleia aqui dentro. Falar e não ser ouvido porque estão todos surdos...
tá me escutando?

Lunks disse...

consumi-los e consumá-los, é comigo mesmo!

Tati Tavares disse...

ói...vcs 2 juntinhos aqui...bonito!