02 novembro, 2009

impressões de 2a feira

Tem dia que é melhor nem acontecer. Um mal estar toma conta das retinas e dos mamilos, das unhas. Encrava no jeito de observar as coisas. Para onde olhamos é tudo de um cinza tosco, como aquelas cortinas de refletir sol. Amaldiçoamos a noite passada, já sabendo que nada ela tem a ver com isso. Amaldiçoamos porque somos imediatistas, dói olhar pro todo.
Uma tosse seca acusa pouca água. Liquidados, embora secos, sem água e sem leveza. De uma espécie de ressaca dos ossos. Ou pequenos círculos que nunca se esbarram. E se esbarram, repelem. A humanidade é mesmo peculiar. Num outro dia, estávamos felizes. Era como se houvesse música. E agora já não temos sonhos, só senhas.
Sensações da infância cismam em rondar pensamento. Nas da adolescência, encontramos fragmentos do primeiro amor. Particularmente, lembro-me muito bem de quando ele, o moço, colocou a sua mão na minha pela primeira vez. Não se fala muito nisso. O hímen inibe as entrelinhas dos pequenos rompimentos que vamos experimentando, o hímen rouba a cena.
Criamos escapes pra escamotear o caos. Somos tão mentirosos. Às vezes, meticulosos. Tem dia que não dá pra esconder que somos assim. E tem dia em que não somos assim. Aceitar o caos então seria interessante para a saúde emocional do planeta? Oh. Sinto-me como um enjôo no estômago. De tanta amargura nesse nó de gravata. Pensava em como era bonito mãos dadas. Algumas recordações nos inspiram. É daí que vem o alívio. Amanhã acordaremos com uma chuva de pétalas de flores coloridas. E outras palavras nas retinas.