10 novembro, 2008

o p r ê m i o

estavam no teatro escuro e em silêncio esperando pelo começo. não sabiam ao certo o começo de que, se surpreenderiam. não pelo prêmio, foram avisados antes, mas pela magnitude estrutural e pela importância do evento praquela comunidade.

subiram ao palco e sorriram para flashs e refletores. algumas palavras de agradecimento. receberam o prêmio que era um troféu. social na saída. o prêmio esquecido em cima do piano. lembrado. rua com o prêmio. iluminados pelo grau, não necessariamente bêbados. uma chuva fina quase imperceptível caindo neles e nas árvores. na mesa. eram a calmaria depois de um vendaval. fabricavam milagrezinhos enquanto conversavam. conta paga, saíram. garçon grita avisando do prêmio. havia ficado na mesa e na chuva. voltaram rindo.

dia seguinte, malas e ônibus. quase que o prêmio fica na rodoviária por mais um esquecimento. preso à bolsa, agora definitivamente não seria mais deixado em bancos de ônibus, taxis, praças. bolsa no bagageiro de cima. curva. bolsa no chão. prêmio espatifado pelo corredor afora.

chegaram à conclusão de que o prêmio não nascera predestinado a estante e pó. quisera ser livre. um prêmio hippie hahaha. tentou por diversas vezes fugir, não ser notado, achar um outro rumo. cansado e claustrofóbico, resolve se jogar do bagageiro do ônibus. num impulso suicida, declama o último suspiro. ah. muda a história, simbolicamente.

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